domingo, 13 de fevereiro de 2011

Mulher Negra - Leci Brandão

Leci Brandão
Nasceu em 12/09/1944 e foi criada nas proximidades de redutos do samba carioca, como a Portela, Vila Isabel e Mangueira. Tendo Jorge Ben como primeiro ídolo, é influenciada também pelo rock norte-americano. Nos anos 60 começou a atuar como cantora e compositora, e em 1968 ganhou o primeiro prêmio do programa A Grande Chance, da TV Tupi. Em 1972 entrou para a ala dos compositores da Mangueira, sendo a primeira mulher a conseguir esse feito. Participou de festivais de MPB e samba, e lançou o primeiro disco em 1974, um compacto com músicas suas. Em 1975 veio o primeiro LP, "Antes que Eu Volte a Ser Nada", seguido por outros três ainda nos anos 70. No início da década de 80 brigou com a gravadora Polygram e passou alguns anos sem gravar, época em que se acentuou sua atuação política, ligada ao sindicalismo e aos direitos humanos e minorias. Também foi o período em que desenvolveu sua carreira no exterior, apresentando-se no Japão, Dinamarca, Angola e Estados Unidos. Trabalhou com o grupo Fundo de Quintal, voltando a gravar em 1985. Em 1990 seu disco "Cidadã Brasileira" ganhou dois prêmios Sharp. Atua como comentarista dos desfiles do carnaval carioca e lançou, em 1999, o CD "Auto-Estima". Entre os maiores sucessos gravados por Leci estão "Isso É Fundo de Quintal", "Só Quero Te Namorar", "Café com Pão", "Papai Vadiou" "Olodum Força Divina" e "Deixa pra Lá".
REVISTA RAÇA BRASIL
Ela é do tipo que não leva desaforo para casa. E, se o motivo for justo, também não fica de fora de uma boa briga. Para a cantora e compositora Leci Brandão, o exercício da cidadania vale 24 horas por dia. Para defender seu ponto de vista e sua música, tempos atrás ela pediu demissão de uma gravadora multinacional e pagou o preço de ficar cinco anos sem gravar. Seu Rei das Ervas, a entidade que sua mãe-de-santo incorpora, lhe disse para não se preocupar. E estava certo. No período em que ficou sem gravadora, Leci fez sua primeira viagem ao exterior e cantou, como nunca, lá fora e em shows por todo o Brasil.
RAÇA BRASIL - Como vai a carreira neste momento?
LECI BRANDÃO - Mudei para a gravadora Movieplay, em 1996, mas eles não entendem quem é a Leci Brandão. Quando lancei meu último disco, Somos da mesma Tribo, o pessoal do MNU procurou a assessoria de imprensa da gravadora para ajudar na divulgação. Mas eles não deram qualquer retorno. A minha opinião é que a Movieplay não tem divulgação competente. Pelo menos uma que entenda o meu trabalho e invista onde interessa. Quando cheguei lá, com um samba do Martinho da Vila que eu queria regravar, um diretor artístico falou que não estava com nada. Mas não foi só nessa gravadora. Enquanto a Copacabana me tornou uma vendedora de discos em São Paulo, a RGE me fez perder espaço lá. Em 1981, quando apresentei meu repertório à PolyGram, o Roberto Menescal me disse que o som que estava rolando naquele momento era outro e que eu precisava compor outras coisas. Na época, quem fazia sucesso era a Lady Zu, o Sidney Magal ... Então, pedi rescisão de contrato. E, neste país, pedir demissão de multinacional é ficar marcado pelo resto da vida. E fiquei cinco anos sem gravar, mas sempre sobrevivendo de música. Cantei em tudo o que era canto, até na Dinamarca, e depois em Angola, no Festival de Luanda, em 1984.
RAÇA - Mas, hoje, o que faz sucesso é o samba. O que determinou essa mudança?
LECI - Isso se chama trabalho de gravadora. Elas resolveram investir nos grupos, depois do estouro do Raça Negra, com 2 milhões de discos. E isso não adianta discutir. Foi o sucesso deles que abriu caminho para os que vieram depois. Isso porque cada gravadora resolveu ter o seu próprio Raça Negra.
RAÇA - Então, copiaram o que deu certo, em busca do sucesso fácil?
LECI - Veja, por exemplo, a questão da temática. Só se fala de amorzinho... Porque o Raça Negra estourou falando de amor. Quem não fala de amor está falando de sacanagem. Está todo mundo indo à aba da Bahia, depois que se viu que essa sacanagem que o baiano sempre teve, a sexualidade, dá pé. Então eles falam de uma coisa ou de outra.
RAÇA - Isso empobreceu o samba?
LECI - O que eu coloco para esses meninos, que assistiam a nossos shows quando tinham 10, 11 anos, é que acho fantástico o sucesso deles, porque ralaram muito. Mas eles poderiam aproveitar todo esse sucesso e prestar um grande serviço à sociedade brasileira, fazendo letras fantásticas como as dos garotos do funk e do rap.
RAÇA - Mas isso não seria, de certa forma, seguir a "escola Leci? "
LECI - Não sei se é seguir a minha escola. Mas acho que eles podem prestar um serviço social. Todos os meus discos têm músicas de amor, mas nunca deixei de me preocupar com a mulher, com o homem, o cara do morro, o trabalhador, o suburbano...
RAÇA - No início de carreira você fez músicas de temática gay. Foi discriminda por isso?
LECI - Quando fiz "Ombro Amigo", mandaram uma carta para a Mangueira. O presidente da ala dos compositores respondeu que não tinha nada contra mim. Agora, não dá pra vir com brincadeirinha comigo. E também não pergunto ao meu público qual é a opção sexual de cada um. Quero é ver a casa cheia.
RAÇA - Sua figura de artista ficou tão associada às brigas sociais, à defesa das minorias, que passaram a chamá-la de Leci Comunindade, não é?
LECI - Sou uma pessoa que veio da comunidade e acho que é minha obrigação levantar essa bola. Na Rede Globo, onde fui comentarista de Carnaval durante nove anos, ficava falando da baiana, do cara da bateria, do compositor. Sempre achei que a festa do Carnaval é deles, os outros são oportunistas. Porque, um dia do ano, eles passam dois segundos na tevê. Os artistas aparecem 363 dias no vídeo. Aqueles dois dias do desfile são da galera do samba. O apelido não me aborrece. Adoro! Sou mesmo a rainha da comunidade.
RAÇA - E por que você parou de comentar Carnaval na Globo?
LECI - O pessoal de alta sociedade ficou incomodado porque eu não falava o nome deles. A Globo teve um comportamento muito legal, porque jamais recebi bilhetinho para falar o nome de A, B ou C. Mas também pararam o comentário. Hoje, é só narração. E o povo do samba sente saudade, me cobra, porque a minha saída é a ausência do nome deles no desfile da televisão.
RAÇA - Você já foi jurada de desfile?
LECI - Sempre me recusei. Não vou julgar amigo meu. Tenho trânsito livre em todas as escolas. Então, é muito complicado julgar alguém que vi crescer, que convive comigo. E eu sei o sacrifício que é fazer um Carnaval. Criticar é fácil. Mas ninguém sabe o que é empurrar carro alegórico, socorrer a baiana que passou mal no desfile, não deixar faltar fantasia pra ninguém. Nunca desejei ser de diretoria de escola de samba. É muita responsabilidade. E também iria brigar muito.
RAÇA - Neste Carnaval, você participou de uma escolha de samba bastante controvertida na Mangueira. Por que os compositores paulistanos ganharam?
LECI - Primeiro quero deixar claro que já cheguei seis vezes à final de samba-enredo, então, não é novidade perder. A questão é que, quando a diretoria abriu espaço para que samba de qualquer Estado se inscrevesse, poderia ganhar alguém de Minas ou do Sul. E, apesar dos boatos de que houve acordo financeiro, eu, conhecendo o presidente Elmo dos Santos, me nego a acreditar que ele fosse capaz de entrar num acordo desses. Porque isso significa traição à ala de compositores, traição à arte.
Fonte: www.culturanegra.com.br

Eu sou Mulher Negra (2)!

Antonieta de Barros (1901-1952)

Antonieta de Barros nasceu em Florianópolis, Santa Catarina, em 11 de julho de 1901. De família muito pobre, ainda criança ficou órfã de pai, sendo criada pela mãe. Ingressou com 17 anos na Escola Normal Catarinense, concluindo o curso em 1921.
Em 1922, a normalista fundou o Curso Particular Antonieta de Barros, voltado para alfabetização da população carente. O curso foi dirigido por ela até sua morte e fechado em 1964. Professora de Português e Literatura, Antonieta exerceu o magistério durante toda a sua vida, inclusive em cargos de direção. Foi professora do atual Instituto de Educação entre os anos de 1933 e 1951, assumindo sua direção de 1944 a 1951, quando se aposentou.
Antonieta de Barros notabilizou-se por ter sido a primeira deputada estadual negra do país e primeira deputada mulher do estado de Santa Catarina. Eleita em 1934 pelo Partido Liberal Catarinense, foi constituinte em 1935, cabendo-lhe relatar os capítulos Educação e Cultura e Funcionalismo . Atuou na assembléia legislativa catarinense até 1937, quando teve início a ditadura do Estado Novo.
Com o fim do regime ditatorial, ela se candidatou pelo Partido Social Democrático e foi eleita novamente em 1947, desta vez como suplente. Na ocasião, continuou lutando pela valorização do magistério: exigiu concurso para o provimento dos cargos do magistério, sugeriu formas de escolhas de diretoras e defendeu a concessão de bolsas para cursos superiores a alunos carentes.
Além da militância política, Antonieta participou ativamente da vida cultural de seu estado. Fundou e dirigiu o jornal A Semana entre os anos de 1922 e 1927. Neste período, por meio de suas crônicas, ela veiculava suas idéias, principalmente aquelas ligadas às questões da educação, dos desmandos políticos, da condição feminina e do preconceito racial. Dirigiu também a revista quinzenal Vida Ilhoa , em 1930, e escreveu vários artigos para jornais locais. Com o pseudônimo de Maria da Ilha, ela escreveria o livro Farrapos de Idéias , em 1937.
Ao longo de sua vida, Antonieta atuou como professora, jornalista e escritora. Como tal, destacou-se, entre outros aspectos, pela coragem de expressar suas idéias dentro de um contexto histórico que não permitia às mulheres a livre expressão; por ter conquistado um espaço na imprensa e por meio dele opinar sobre as mais diversas questões; e principalmente por ter lutado pelos menos favorecidos, visando sempre a educação da população mais carente.
Antonieta faleceu no dia 18 de março de 1952.
Referências bibliográficas 
Brazil, Érico Vital e Schumaher, Schuma (org.). Dicionário Mulheres do Brasil de 1500 até a atualidade . Jorge Zahar.
Mott, Maria Lúcia de Barros. Escritoras negras resgatando a nossa história . Coleção Papéis Avulsos. 1989.
Oliveira, Eduardo (org). Quem é quem na negritude brasileira . São Paulo, Congresso Nacional, 1998.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Gabriel Pensador - Música " Lavagem Cerebral " - Sugestão para trabalhar em sala de aula

Falando sobre racismo, é possível através da Arte, suscitar nos alunos o interesse em discutir sobre o assunto, cantando e lendo a poesia no momento da aula. Gabriel Pensador, torna-se um bom recurso didático, para nós educadores, quando exprime através do Rap vários pontos importantes que destacam o racismo. Nesse sentido, usar o seu texto e música, estimula momentos agradáveis que a arte por si só já proporciona e nos ajuda a levar nossos alunos e a nós mesmos a uma reflexão crítica sobre a nossa sociedade. Com essa música é possível trabalhar interdisciplinarmente nos diversos níveis da educação (Ens Fundamental, Médio e Superior). O vídeo aponta um pouquinho da experiência de vida do cantor e escritor enquanto sua inquietude como jovem o lança para o fazer, o agir. Há vários vídeos com slides e com a música no youtube que poderão ser analisados e aproveitados para a sua aula. Então... Mãos à obra!
(Prof Ingrid)

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Lendas Brasileiras





É um Mito do Brasil que os índios já conheciam desde a época do descobrimento. Índios e Jesuítas o chamavam de Caiçara, o protetor da caça e das matas.
É um anão de Cabelos Vermelhos com Pelo e Dentes verdes. Como protetor das Árvores e dos Animais, costuma punir o os agressores da Natureza e o caçador que mate por prazer. É muito poderoso e forte.
Seus pés voltados para trás serve para despistar os caçadores, deixando-os sempre a seguir rastros falsos. Quem o vê, perde totalmente o rumo, e não sabe mais achar o caminho de volta. É impossível capturá-lo. Para atrair suas vítimas, ele, às vezes chama as pessoas com gritos que imitam a voz humana. É também chamado de Pai ou Mãe-do-Mato, Curupira e Caapora. Para os Índios Guaranis ele é o Demônio da Floresta. Às vezes é visto montando um Porco do Mato.
Uma carta do Padre Anchieta datada de 1560, dizia: "Aqui há certos demônios, a que os índios chamam Curupira, que os atacam muitas vezes no mato, dando-lhes açoites e ferindo-os bastante". Os índios, para lhe agradar, deixavam nas clareiras, penas, esteiras e cobertores.
De acordo com a crença, ao entrar na mata, a pessoa deve levar um Rolo de Fumo para agradá-lo, no caso de cruzar com Ele.
Nomes comuns: Caipora, Curupira, Pai do Mato, Mãe do Mato, Caiçara, Caapora, Anhanga, etc.

Origem Provável: É oriundo da Mitologia Tupi, e os primeiros relatos são da Região Sudeste, datando da época do descobrimento, depois tornou-se comum em todo País, sendo junto com o Saci, os campeões de popularidade. Entre o Tupis-Guaranis, existia uma outra variedade de Caipora, chamada Anhanga, um ser maligno que causava doenças ou matava os índios. Existem entidades semelhantes entre quase todos os indígenas das américas Latina e Central. Em El Salvador, El Cipitío, é um espiríto tanto da floresta quanto urbano, que também tem as mesmos atibutos do Caipora. Ou seja pés invertidos, capacidade de desorientar as pessoas, etc. Mas, este El Cipitío, gosta mesmo é de seduzir as mulheres.
Conforme a região, ele pode ser uma mulher de uma perna só que anda pulando, ou uma criança de um pé só, redondo, ou um homem gigante montado num porco do mato, e seguido por um cachorro chamado Papa-mel.

Também, dizem que ele tem o poder de ressuscitar animais mortos e que ele é o pai do moleque Saci Pererê.
Há uma versão que diz que o Caipora, como castigo, transforma os filhos e mulher do caçador mau, em caça, para que este os mate sem saber.

Boi Tatá
É um Monstro com olhos de fogo, enormes, de dia é quase cego, à noite vê tudo. Diz a lenda que o Boitatá era uma espécie de cobra e foi o único sobrevivente de um grande dilúvio que cobriu a terra. Para escapar ele entrou num buraco e lá ficou no escuro, assim, seus olhos cresceram.
Desde então anda pelos campos em busca de restos de animais. Algumas vezes, assume a forma de uma cobra com os olhos flamejantes do tamanho de sua cabeça e persegue os viajantes noturnos. Às vezes ele é visto como um facho cintilante de fogo correndo de um lado para outro da mata. No Nordeste do Brasil é chamado de "Cumadre Fulôzinha". Para os índios ele é "Mbaê-Tata", ou Coisa de Fogo, e mora no fundo dos rios.
Dizem ainda que ele é o espírito de gente ruim ou almas penadas, e por onde passa, vai tocando fogo nos campos. Outros dizem que ele protege as matas contra incêndios.
A ciência diz que existe um fenômeno chamado Fogo-fátuo, que são os gases inflamáveis que emanam dos pântanos, sepulturas e carcaças de grandes animais mortos, e que visto de longe parecem grandes tochas em movimento.
 
Nomes comuns: No Sul; Baitatá, Batatá, Bitatá (São Paulo). No Nordeste; Batatão e Biatatá (Bahia). Entre os índios; Mbaê-Tata.

Origem Provável: É de origem Indígena. Em 1560, o Padre Anchieta já relatava a presença desse mito. Dizia que entre os índios era a mais temível assombração. Já os negros africanos, também trouxeram o mito de um ser que habitava as águas profundas, e que saía a noite para caçar, seu nome era Biatatá.

É um mito que sofre grandes modificações conforme a região. Em algumas regiões por exemplo, ele é uma espécie de gênio protetor das florestas contra as queimadas. Já em outras, ele é causador dos incêndios na mata. A versão do dilúvio teve origem no Rio Grande o Sul.

Uma versão conta que seus olhos cresceram para melhor se adaptar à escuridão da caverna onde ficou preso após o dilúvio, outra versão, conta que ele, procura restos de animais mortos e come apenas seus olhos, absorvendo a luz e o volume dos mesmos, razão pela qual tem os olhos tão grandes e incandescentes.
 

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Nos pequenos povoados ou cidades, onde existam casas rodeando uma igreja, em noites escuras, pode haver aparições da Mula-Sem-Cabeça. Também se alguém passar correndo diante de uma cruz à meia-noite, ela aparece. Dizem que é uma mulher que namorou um padre e foi amaldiçoada. Toda passagem de quinta para sexta feira ela vai numa encruzilhada e ali se transforma na besta.
Então, ela vai percorrer sete povoados, ao longo daquela noite, e se encontrar alguém chupa seus olhos, unhas e dedos. Apesar do nome, Mula-Sem-Cabeça, na verdade, de acordo com quem já a viu, ela aparece como um animal inteiro, forte, lançando fogo pelas narinas e boca, onde tem freios de ferro.
Nas noites que ela sai, ouve-se seu galope, acompanhado de longos relinchos. Às vezes, parece chorar como se fosse uma pessoa. Ao ver a Mula,deve-se deitar de bruços no chão e esconder Unhas e Dentes para não ser atacado.
Se alguém, com muita coragem, tirar os freios de sua boca, o encanto será desfeito e a Mula-Sem-Cabeça, voltará a ser gente, ficando livre da maldição que a castiga, para sempre
Nomes comuns: Burrinha do Padre, Burrinha, Mula Preta, Cavalo-sem-cabeça, Padre-sem-cabeça, Malora (México),

Origem Provável: É um mito que já existia no Brasil colônia. Apesar de ser comum em todo Brasil, variando um pouco entre as regiões, é um mito muito forte entre Goiás e Mato Grosso. Mesmo assim não é exclusivo do Brasil, existindo versões muito semelhantes em alguns países Hispânicos.

Conforme a região, a forma de quebrar o encanto da Mula, pode variar. Há casos onde para evitar que sua amante pegue a maldição, o padre deve excomungá-la antes de celebrar a missa. Também, basta um leve ferimento feito com alfinete ou outro objeto, o importante é que saia sangue, para que o encanto se quebre. Assim, a Mula se transforma outra vez em mulher e aparece completamente nua. Em Santa Catarina, para saber se uma mulher é amante do Padre, lança-se ao fogo um ovo enrolado em fita com o nome dela, e se o ovo cozer e a fita não queimar, ela é.

É importante notar que também, algumas vezes, o próprio Padre é que é amaldiçoado. Nesse caso ele vira um Padre-sem-Cabeça, e sai assustando as pessoas, ora a pé, ora montado em um cavalo do outro mundo. Há uma lenda Norte americana, O Cavaleiro sem Cabeça, que lembra muito esta variação.

Algumas vezes a Mula, pode ser um animal negro com a marca de uma cruz branca gravada no pelo. Pode ou não ter cabeça, mas o que se sabe de concreto é que a Mula, é mesmo uma amante de Padre. 

 

Os cronistas dos séculos XVI e XVII registraram essa história. No princípio, o personagem era masculino e chamava-se Ipupiara, homem peixe que devorava pescadores e os levava para o fundo do rio. No século XVIII, Ipupiara vira a sedutora sereia Uiara ou Iara. Todo pescador brasileiro, de água doce ou salgada, conta histórias de moços que cederam aos encantos da bela Uiara e terminaram afogados de paixão. Ela deixa sua casa no fundo das águas no fim da tarde. Surge magnífica à flor das águas: metade mulher, metade peixe, cabelos longos enfeitados de flores vermelhas. Por vezes, ela assume a forma humana e sai em busca de vítimas.
Quando a Mãe das águas canta, hipnotiza os pescadores. Um deles foi o índio Tapuia. Certa vez, pescando, Ele viu a deusa, linda, surgir das águas. Resistiu. Não saiu da canoa, remou rápido até a margem e foi se esconder na aldeia. Mas enfeitiçado pelos olhos e ouvidos não conseguia esquecer a voz de Uiara. Numa tarde, quase morto de saudade, fugiu da aldeia e remou na sua canoa rio abaixo.
Uiara já o esperava cantando a música das núpcias. Tapuia se jogou no rio e sumiu num mergulho, carregado pelas mãos da noiva. Uns dizem que naquela noite houve festa no chão das águas e que foram felizes para sempre. Outros dizem que na semana seguinte a insaciável Uiara voltou para levar outra vítima.

Origem: Européia com versões dos Indígenas, da Amazônia.

É uma das mais conhecidas lendas do folclore amazônico. Conta a lenda que em numa tribo indígena da Amazônia, uma índia, grávida da Boiúna (Cobra-grande, Sucuri), deu à luz a duas crianças gêmeas que na verdade eram Cobras. Um menino, que recebeu o nome de Honorato ou Nonato, e uma menina, chamada de Maria. Para ficar livre dos filhos, a mãe jogou as duas crianças no rio. Lá no rio eles, como Cobras, se criaram. Honorato era Bom, mas sua irmã era muito perversa. Prejudicava os outros animais e também às pessoas.
Eram tantas as maldades praticadas por ela que Honorato acabou por matá-la para pôr fim às suas perversidades. Honorato, em algumas noites de luar, perdia o seu encanto e adquiria a forma humana transformando-se em um belo rapaz, deixando as águas para levar uma vida normal na terra.
Para que se quebrasse o encanto de Honorato era preciso que alguém tivesse muita coragem para derramar leite na boca da enorme cobra, e fazer um ferimento na cabeça até sair sangue. Ninguém tinha coragem de enfrentar o enorme monstro.
Até que um dia um soldado de Cametá (município do Pará) conseguiu libertar Honorato da maldição. Ele deixou de ser cobra d'água para viver na terra com sua família.

Origem: Mito da região Norte do Brasil, Pará e Amazonas.

Os pajés tupis-guaranis, contavam que, no começo do mundo, toda vez que a Lua se escondia no horizonte, parecendo descer por trás das serras, ia viver com suas virgens prediletas. Diziam ainda que se a Lua gostava de uma jovem, a transformava em estrela do Céu. Naiá, filha de um chefe e princesa da tribo, ficou impressionada com a história. Então, à noite, quando todos dormiam e a Lua andava pelo céu, Ela querendo ser transformada em estrela, subia as colinas e perseguia a Lua na esperança que esta a visse.
E assim fazia todas as noites, durante muito tempo. Mas a Lua parecia não notá-la e dava para ouvir seus soluços de tristeza ao longe. Em uma noite, a índia viu, nas águas límpidas de um lago, a figura da lua. A pobre moça, imaginando que a lua havia chegado para buscá-la, se atirou nas águas profundas do lago e nunca mais foi vista.
A lua, quis recompensar o sacrifício da bela jovem, e resolveu transformá-la em uma estrela diferente, daquelas que brilham no céu. Transformou-a então numa "Estrela das Águas", que é a planta Vitória Régia. Assim, nasceu uma planta cujas flores perfumadas e brancas só abrem à noite, e ao nascer do sol ficam rosadas.

Origem: Indígena. Para eles assim nasceu a vitória-régia.


A Lenda do Saci data do fim do século XVIII. Durante a escravidão, as amas-secas e os caboclos-velhos assustavam as crianças com os relatos das travessuras dele. Seu nome no Brasil é origem Tupi Guarani. Em muitas regiões do Brasil, o Saci é considerado um ser brincalhão enquanto que em outros lugares ele é visto como um ser maligno.
É uma criança, um negrinho de uma perna só que fuma um cachimbo e usa na cabeça uma carapuça vermelha que lhe dá poderes mágicos, como o de desaparecer e aparecer onde quiser. Existem 3 tipos de Sacis: O Pererê, que é pretinho, O Trique, moreno e brincalhão e o Saçurá, que tem olhos vermelhos. Ele também se transforma numa ave chamada Matiaperê cujo assobio melancólico dificilmente se sabe de onde vem.
Ele adora fazer pequenas travessuras, como esconder brinquedos, soltar animais dos currais, derramar sal nas cozinhas, fazer tranças nas crinas dos cavalos, etc. Diz a crença popular que dentro de todo redemoinho de vento existe um Saci. Ele não atravessa córregos nem riachos. Alguém perseguido por ele, deve jogar cordas com nós em sem caminho que ele vai parar para desatar os nós, deixando que a pessoa fuja.
Diz a lenda que, se alguém jogar dentro do redemoinho um rosário de mato bento ou uma peneira, pode capturá-lo, e se conseguir sua carapuça, será recompensado com a realização de um desejo.
Nomes comuns: Saci-Cererê, Saci-Trique, Saçurá, Matimpererê, Matintaperera, etc.

Origem Provável: Os primeiros relatos são da Região Sudeste, datando do Século XIX, em Minas e São Paulo, mas em Portugal há relatos de uma entidade semelhante. Este mito não existia no Brasil Colonial.

Entre os Tupinambás, uma ave chamada Matintaperera, com o tempo, passou a se chamar Saci-pererê, e deixou de ser ave para se tornar um caboclinho preto de uma só perna, que aparecia aos viajantes perdidos nas matas.

Também de acordo com a região, ele sofre algumas modificações:
Por exemplo, dizem que ele tem as mãos furadas no centro, e que sua maior diversão é jogar uma brasa para o alto para que esta atravesse os furos. Outros dizem que ele faz isso com uma moeda.
Há uma versão que diz que o Caipora, é seu Pai.
Dizem também que ele, na verdade eles, um bando de Sacis, costumam se reunir à noite para planejarem as travessuras que vão fazer.

Ele tem o poder de se transformar no que quiser. Assim, ora aparece acompanhado de uma horrível megera, ora sozinho, ora como uma ave.
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O Negrinho do Pastoreio É uma lenda meio africana meio cristã. Muito contada no final do século passado pelos brasileiros que defendiam o fim da escravidão. É muito popular no sul do Brasil.
Nos tempos da escravidão, havia um estancieiro malvado com negros e peões. Num dia de inverno, fazia frio de rachar e o fazendeiro mandou que um menino negro de quatorze anos fosse pastorear cavalos e potros recém-comprados. No final do tarde, quando o menino voltou, o estancieiro disse que faltava um cavalo baio. Pegou o chicote e deu uma surra tão grande no menino que ele ficou sangrando. ‘‘Você vai me dar conta do baio, ou verá o que acontece’’, disse o malvado patrão. Aflito, ele foi à procura do animal. Em pouco tempo, achou ele pastando. Laçou-o, mas a corda se partiu e o cavalo fugiu de novo.
Na volta à estância, o patrão, ainda mais irritado, espancou o garoto e o amarrou, nu, sobre um formigueiro. No dia seguinte, quando ele foi ver o estado de sua vítima, tomou um susto. O menino estava lá, mas de pé, com a pele lisa, sem nenhuma marca das chicotadas. Ao lado dele, a Virgem Nossa Senhora, e mais adiante o baio e os outros cavalos. O estancieiro se jogou no chão pedindo perdão, mas o negrinho nada respondeu. Apenas beijou a mão da Santa, montou no baio e partiu conduzindo a tropilha.

Origem: Fim do Século XIX, Rio Grande do Sul.

O Papa Figo, ao contrário dos outros mitos, não tem aparência extraordinária. Parece mais com uma pessoa comum. Outras vezes, pode parecer como um velho esquisito que carrega um grande saco às costas.
Na verdade, ele mesmo pouco aparece. Prefere mandar seus ajudantes em busca de suas vítimas. Os ajudantes por sua vez, usam de todos os artifícios para atrair as vítimas, todas crianças claro, tais como; distribuir presentes, doces, dinheiro, brinquedos ou comida. Eles agem em qualquer lugar público ou em portas de escolas, parques, ou mesmo locais desertos.

Depois de atrair as vítimas, estas são levadas para o verdadeiro Papa-Figo, um sujeito estranho, que sofre de uma doença rara e sem cura. Um sintoma dessa doença seria o crescimento anormal de suas orelhas.

Diz a lenda, que para aliviar os sintomas dessa terrível doença ou maldição, o Papa-Figo, precisa se alimentar do Fígado de uma criança. Feito a extração do fígado, eles costumam deixar junto com a vítima, uma grande quantia em dinheiro, que é para o enterro e também para compensar a família.

Origem: Mito muito comum em todo meio rural. Acredita-se que a intenção do conto era para alertar as crianças para o contato com estranhos, como no conto de Chapeuzinho Vermelho. 

NZINGHA RAINHA AMAZONA DE MATAMBA AFRICA OCIDENTAL ( 1582-1663)

 NZINGHA RAINHA AMAZONA DE MATAMBA AFRICA OCIDENTAL ( 1582-1663)
 Foi uma líder militar de relevo que lutou contra os Europeus que ferozmente caçavam escravos. Essa guerra durou mais de trinta anos. NZINGHA era de descendência Angolana e, tornou-se num símbolo de inspiração para pessoas em todo o mundo. A Rainha Nzingha é também conhecida por alguns como Jinga e por outros como Ginga. Ela pertencia ao grupo étnico Jagas, um grupo militar que fez frente aos comerciantes portugueses de escravos organizando-se num verdadeiro escudo humano. Como uma líder política visionária, competente e abnegada, ela devotou a sua vida inteiramente ao movimento da resistência. Aliou-se com outros potências estrangeiras, com o intuito de os pôr a guerrear uns com os outros, numa tentativa de libertar Angola da influência Europeia. Possuidora de uma rigidez máscula, e de uma grande elegância feminina, usou os dois atributos consoante as exigências da situação o exigiam. Quando necessário, chegou mesmo a usar a religião como ferramenta política. Após a sua morte, a 17 de Dezembro de 1663, as portas abriram-se para um comércio de escravos massivo pelos portugueses. Todavia, a sua rebelião, ajudou a que muitos despertassem para a realidade e a seguissem, sendo forçados a participar em ofensivas contra os invasores. Isto incluíu a Senhora Tinubu da Nigéria; Nandi , a mãe do grande guerreiro Zulu Chaka; Kaipkire de Herero povo no Sudueste Africano; e o exército feminino que seguiu o Rei do Daomé, Behanzin Bowelle.

A cor não importa, o que faz a diferença é ter consciência (Ingrid Costa)

Consciência Negra: para além da cor da pele...


“Todo brasileiro, mesmo o alvo, de cabelo louro, traz na alma, quando não no corpo, a sombra, ou pelo menos a pinta, do indígena ou do negro...”

Gilberto Freyre,
Casa Grade e Senzala

Poesia Africana (Guiné-Bissau)

E O POETA FALOU
Odete Costa Semedo*

Falei da ambição
dos homens
era já dia
falei da paz
do grito de Angola
do homem sem rosto
da criança que virou velho

Falei do homem-bicho
outros falaram do bicho-homem
essa coisa sem cabeça
nem coração
outros e mais outros
falaram do mundo-cão
onde a ambição
fala mais alto que o coração

Clamei pelas crianças de Moçambique
vi-me nas ilhas sem nome
chorando a angústia alheia
enquanto isso
o bicho-homem
vestido de homem-bicho
caminhava para a minha moransa*

Esse homem sem cabeça
coração na planta dos pés
que a todos leva ao sepulcro
a sete pés
debaixo da terra
pisou o meu chão
calcou a minha gente
não precisava de um pelotão
apenas ter ambição nos olhos
ódio nas mãos
e tocar o bombolon** da morte

*Moransa - aglomerado de casas pertencente a uma família extensa
**Bombolon - instrumento de percussão

Do livro "No Fundo do Canto", publicado aqui no Brasil, 2007. Ed. Nandyala

*Maria Odete da Costa Soares Semedo (1959) nasceu em Bissau. Diplomada em Letras pela Universidade de Lisboa. É professora da escola de formação de professores em Bissau (Escola Normal Superior Tchico Té), e professora colaboradora da Universidade Colinas de Boé, também em Bissau. Foi Ministra da Educação Nacional e Presidente da Comissão Nacional para a UNESCO, Bissau. Investigadora Sênior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas, INEP-Bissau, foi muito recentemente Ministra da Saúde em seu país. Possui diversos trabalhos publicados em várias antologias literárias, jornais e revistas da especialidade na Guiné-Bissau e no estrangeiro.
Doutoranda em Letras na PUC Minas, contam-se, entre as suas obras publicadas, "Entre o ser e o amar" (poesia, Bissau: INEP, 1996); "SONNÉÁ histórias e passadas que ouvi contar I" (contos, Bissau: INEP, 2000) e "DJÉNIA histórias e passadas que ouvi contar II" (contos, Bissau: INEP, 2000); "No Fundo do Canto" (poesia Viana do Castelo: Edição da Câmara Municipal de Viana do Castelo- Portugal, 2003). Este último foi também publicado aqui no Brasil, em 2007, pela editora Nandyala, Belo Horizonte.