domingo, 28 de agosto de 2011

Sugestão paraLeituras sobre Afro-Cultura

BIBLIOGRAFIA
Almeida, Eduardo Ribeiro e Medeiros, Ângela Cordeiro - História e Cultura Afro-Brasileira: Possibilidades e Impossibilidades na Aplicação da Lei 10.639/2003.

Bittencourt Circe Maria Fernandes - Ensino de História: fundamentos e métodos São Paulo – Cortez Editora – 2004.

Estatuto da Igualdade Racial

Karnal, Leandro (Org.) História na sala de aula – Conceitos, Práticas e Propostas- São Paulo – Editora Contexto, 5ª edição – 2008.

Rocha, José Geraldo - História da África e Cultura Afro-Brasileira.

Sugestão de filmes produzidos na África

À Espera Da Felicidade, / Heremakono


Mauritânia, França | Abderrahmane Sissako | 2002 | Drama | IMDB
Francês, Mouro (Hassani) | Inglês/Português | 91 min | 1,36Gb Mb

Em Nouadhibou, aldeia de pescadores no litoral mauritano, Abdallah, um jovem malinês de 17 anos visita a mãe antes de partir para a Europa. Neste lugar de exílios e de falsas esperanças o jovem, que não entende a língua, tenta decodificar o universo à sua volta. Nana, uma jovem sensual Makan que sonha com a Europa, Maata, um antigo pescador e agora eletricista e seu discípulo Khatra que vai ajudá-lo a sair de seu isolamento ensinando-lhe o dialeto local. Os destinos se encontram e se desencontram ao longo dos dias os olhares fixos no horizonte aguardam uma incerta felicidade. 

 

Al-massir / O destino
A história se passa no século 12, na província de Andaluzia sob controle árabe. O famoso filósofo Averroes é nomeado juiz pelo califa e os julgamentos de seu tribunal liberal não são bem vistos por todos. Os rivais políticos do califa, reunidos em torno do líder de uma seita fanática islâmica, forçam o califa a enviar Averroes para o exílio, mas suas idéias continuam a viver graças a seus alunos.

 

Um Homem que Grita (Un Homme qui Crie)

Adam (Youssouf Djaoro) tem 60 anos de idade, é ex-campeão de natação, e há 30 anos trabalha com guardião de piscina de um hotel de luxo situado no Chade, na África. Contudo, investidores compram o estabelecimento e ele se vê obrigado a ceder sua vaga para seu filho Abdel (Diouc Koma), situação que o incomoda bastante por ver nela um declínio social. Além de estar diante deste conflito pessoal, seu país passa por uma guerra civil, com rebeldes ameaçando o governo. Neste contexto, Adam precisa ajudar o governo com dinheiro ou enviando seu filho para que lute pelo país. Assim, o líder do bairro pede que Adam dê sua contribuição, mas ele não tem dinheiro, só tem o filho.
 
Yeelen / A luz
Dotado de poderes mágicos, um jovem parte em busca de seu tio para pedir ajuda em uma luta contra seu pai, um feiticeiro que o havia abandonado e agora procura a morte do próprio filho.  
"O argumento surgiu em um momento de tensão, a todos os níveis. Por causa do medo de perder tudo. No Mali, como em toda a parte, as pessoas já não se reconhecem. Que cultura escolher? O que se possui na realidade? O que não se possui? Podemos ter a impressão de que um cataclismo se abateu sobre o continente africano... ambientei a história a dez séculos atrás para que os jovens reencontrem a noção profunda de sua cultura." 

El-haimoune / Andarilhos do deserto
Primeiro filme da Trilogia do Deserto, teve a colaboração da aclamada diretora tunisiana Moufida Tlatli ("Silêncio do Palácio" e "Tempo de Espera"). Seguindo a tradição árabe de contar histórias e sua experiência como escritor, Khemir cria um cenário especial no qual um jovem professor assume a escola de um pequeno vilarejo no meio do deserto. Fortemente influenciado pelas histórias das Mil e Uma Noites, o filme mostra figuras lendárias que se materializam, crianças que correm por labirintos, além do misterioso desaparecimento do professor. Neste filme é possível verificar como a lenda, a tradição e o destino estão fortemente ligados àquela comunidade. 


Finyè / O vento
Dois adolescentes malineses, Bâ e Batrou, oriundos de classes sociais diferentes, encontram-se no liceu e tornam-se namorados. Bâ é o descendente de um grande chefe tradicional. O pai de Batrou, governador militar, representa o novo poder. Os jovens pertencem a uma geração que recusa a ordem estabelecida e põe em xeque a sociedade.

"Na vida de cada ser humano, há sempre momentos em que você precisa fazer uma pausa, a fim de descobrir o que tem sido feito e o que ainda precisa ser feito. Finyé coloca esta pergunta dupla." Souleymane Cissé

Fonte: 
www.cine-africa.blogspot.com

domingo, 3 de julho de 2011

Indignação sobre comentários que ouço sobre o sistema de Cotas!

Há pessoas que mencionam a questão do preenchimento das vagas com cotas para negros e indígenas como uma questão de capacidade intelectual, e a proposta não é essa, o negro,o indígena, o pobre, o deficiente físico, etc entre tantos marginalizados por séculos não tiveram oportunidades iguais com relação a todo o resto da humanidade, sejam brancos, ricos, europeus,nobres, poderosos, etc. por esse motivo a necessidade do sistema de cotas. Não é um questão de inteligência, mas de oportunidade. O povo negro e indígena deveria ser indenizado por todo o seu dano sofrido, serem arrancados de sua terra, do seu habitat, impossibilidados de praticar a sua cultura. Como devolver a esses povos tudo que lhe foi roubado, sequestrado, adulterado, desvalorizado? Então repense, e se não é a favor do sistema de cotas, qual outro sistema você lançaria para ressarcir esses povos que deixaram seu sangue no chão, literalmente nessas terras, lutando por sua liberdade e alavancando este país com seu trabalho forçado, contribuindo com seus conhecimentos sem até hoje ter o reconhecimento de que ajudou a construi-lo. Como recuperar o que se perdeu durante um grande período histórico? Isso é o mínimo que começou a ser feito. Antes de inventar piadas sobre a inteligência do negro ou do indígena, estude um pouco mais sobre a história do Brasil e do mundo e descobrirá, que já em outros países, reconheceram a injustiça feita com muitos povos, inclusive o povo judeu e criaram mecanismos para reparar os danos causados, que na verdade, nunca serão restabelecidos verdadeiramente, pois um corpo caído, morto no chão jamais será substituído. Pense melhor!

Prof Ingrid Costa

Racismo? Tô fora!



E porque não dissemos nada...

Na primeira noite, eles se aproximam
e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem,
pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles, entra
sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua,
e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.

E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.

Maiakovski



Como eu não me importei com ninguém
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

Bertold Brecht (1898-1956)



Já não havia mai ninguém para reclamar
Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram
meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei .
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar…

Martin Niemöller, 1933
- símbolo da resistência aos nazistas -

Apesar de toda a modernidade vivida pelas sociedades atuais, infelizmente ainda é comum encontrarmos casos de preconceito e discriminação por causa de diferenças raciais. Nas teorias da lei e nas práticas do cotidiano, o racismo é uma atitude que deve ser abolida, mas ainda hoje, muita gente nem sabe o que é.
Por isso, é bom esclarecer algumas dúvidas sobre o que é o RACISMO.
Segundo a enciclopédia Wikipedia, o racismo é a tendência do pensamento, ou do modo de pensar em que se dá grande importância à noção da existência de raças humanas distintas e superiores umas às outras. Onde existe a convicção de que alguns indivíduos e sua relação entre características físicas hereditárias, e determinados traços de caráter e inteligência ou manifestações culturais, são superiores a outros.
 


 O racismo não é uma teoria científica, mas um conjunto de opiniões pré-concebidas onde a principal função é valorizar as diferenças biológicas entre os seres humanos, em que alguns acreditam ser superiores aos outros de acordo com sua matriz racial. A crença da existência de raças superiores e inferiores foi utilizada muitas vezes para justificar a escravidão, o domínio de determinados povos por outros, e os genocídios que ocorreram durante toda a história da humanidade.
Foi baseado na idéia de superioridade de raças, que o nazismo exterminou um grande número de judeus, mas se engana completamente quem pensa que ele foi o único. Durante o período colonial, influenciado pelo imperialismo, potências como a Inglaterra, os EUA, e diversos outros países invadiram terras e destruíram a população com a desculpa de que levavam o desenvolvimento. 


 Quem acha que o racismo é coisa do passado também se engana. Com a internet e a possibilidade do anonimato, multiplicou-se o número de pessoas que defendem idéias de superioridade de raças. Quem duvidar basta procurar por blogs, comunidades e grupos que se utilizam do meio digital para disseminar o preconceito. 
 
Digam não ao racismo contra qualquer tipo de preconceito, que seja pela cor da pele, opção sexual, regionalidade, etc... Preconceito não devia existir nem nos tempos antigos e nem nos atuais. Exclua isso da sua vida e seja feliz respeitando as diferenças do próximo... Já diz a Biblía "Amais uns aos outros"

Aqui vai um link de um site muito legal, nele você poderá denunciar não só o Racismo mais qualquer outro tipo de  violência contra os direitos humanos. Denuncie já!
 
Fonte: Blog da Amanda Tôrres (Blogspot) e Revista Afro.com online

Para refletir...



Há quarenta anos atrás, era eu um bebezinho negro passeando na cidade de Paranaguá-PR, bem parececido com esse acima. Contavam meus pais que eu causava o maior
"frisson" e pessoas queriam passar o dedo em mim para ver se eu soltava tinta.
Ainda hoje causo "frisson" em pessoas pelo meu modo de vestir, arrumar meu cabelo, pela minha cor, pela minha auto-estima elevada por ter orgulho de ser uma cidadã, uma mulher e negra...
Após 123 anos, 1 mês e 20 dias da dita gloriosa abolição dos escravos, ainda olham primeiro para a minha cor e não para mim. Interessante!

Prof Msc Ingrid Costa
(Rio Grande, 3 dejulho de 2011)

Eu sou uma Contadora de Histórias (GRIÔT)

CREDO DO NARRADOR ORAL (GRIÔT)




Creio no contador, como memória viva do amor e creio em seu filho, e no filho de seu filho, e no filho de seu filho, porque eles são a estirpe da voz, os criadores da terra e do céu das vozes: voz das vozes.
Creio na magia que na entrada das cavernas acendeu o primeiro fogo que reuniu como estrelas: o assombro, o tremor, a fé.

Creio no contador, concebido nos espelhos da água, nascido humilde, tantas vezes negado, tantas vezes crucificado, porém nunca morto, nunca sepultado, porque sempre ressuscitou dos vivos congregando-os a ser: xamã, fabulista, contador de histórias...


Creio no contador, que desde os tempos tribais a todos antecedeu para alcançar-nos por que é. Creio em suas mentiras fabulosas que escondem fabulosas certezas, no prodígio de sua invenção que vaticina realidades insuspeitas, e também creio na fantasia das verdades e nas verdades da fantasia, por isso creio nas sete léguas das botas, na serpente que antes foi inofensiva galinha, e no gato único no mundo, aquele gato que ao miar lançava moedas de ouro pela boca.

Creio nos contos de minha mãe, como minha mãe acreditou nos contos de minha avó, como minha avó acreditou nos contos de minha bisavó e recordo a voz que me contava para afastar a enfermidade e o medo, a voz que recordava os conselhos entesourados pela mãe para passá-los ao filho;— Não te desvies do teu caminho.— Nunca faças de noite o que possas te envergonhar pela manhã.

Creio no direito da criança escutar contos; e mais, creio no direito das crianças vivas dentro dos adultos de voltar a escutar os contos que povoaram sua infância; e mais, creio nos direitos dos adultos desde sempre e para sempre de escutar contos, outros novos contos.

Creio no gesto que conta, porque em sua mão desnuda, despojadamente desnuda, está o coelho.

Creio no tambor que redobra, porque o que haveria sido do mundo se não tivesse sido inventado o tambor, se a poesia não reinventasse o mundo dentro de nós, se o conto, ao improvisar o mundo, não o reordenasse, se o teatro não desvelasse a cerimônia secreta das máscaras e por isso...Por que creio, narro oralmente.

Creio que contar é defender a pureza, defender a sabedoria da ingenuidade, defender a força da indagação. Creio que contar é compartilhar a confiança, compartilhar a simplicidade como transparência da profundidade, compartilhar a linguagem comum da beleza. Creio que contar É UMA FORMA DE AMOR!


Garzón Céspedes

Conto: A serpente e o vagalume

A SERPENTE E O VAGALUME
 
Conta a lenda que uma vez uma serpentecomeçou a perseguir um vagalume.
Este fugia rápido, com medo da feroz predadora e a serpente nem pensava
em desistir.
Fugiu um dia e ela não desistia, dois dias e nada....
No terceiro dia, já sem forças o 
vagalume parou e disse à cobra:
- Posso lhe fazer uma pergunta?
- Não costumo abrir esse precedente 
para ninguém, 
mas já que vou te devorar
mesmo, pode perguntar.
- Pertenço a sua cadeia alimentar?
- Não.
- Eu te fiz algum mal?
- Não.
- Então, por que você  quer acabar 
comigo?
- Porque não suporto ver você brilhar!
    


"Pense nisso e selecione as pessoas em 
quem confiar."